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Pirataria, navegação, explorar os sete mares, seja um pirata ou alguém da marinha, esse é mais um RPG de forum conhecido como PbF.

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em Sab 08 Jul 2017, 16:58

Vodacce
(Escolha 1: +1 Finesse ou +1 Determinação)
“Se me pedissem para descrever Vodacce com uma
palavra apenas, eu responderia: ‘Traiçoeira’.”
almirante Enrique Orduño

Você vai precisar de um olho nas costas. Nunca olhe uma mulher nos olhos, a menos que seja mais espadachim que o marido dela. E nunca, nunca dê as costas a um desafiante. Você não terá outra chance de encará-lo. Vodacce é um lugar onde uma palavra descuidada, um olhar mais demorado, um passo em falso pode ser fatal. Não é um lugar seguro para os estouvados.

Com excecção das poucas terras baixas e alagadiças a oeste – ótimas para o arroz e outros plantios especializados –, a maior parte da Vodacce continental é formada por regiões montanhosas, de cultivo difícil e perfeitas para a mineração. O oeste é pouco elevado e bem irrigado, cortado em todas as direções por rios e córregos. O leste, por outro lado, é rochoso, pontilhado com comunidades mineradoras que acabam dando lugar a charcos logo ao sul da Comunidade Sarmática, na península de Pióro.

O país se divide em territórios controlados pelos sete príncipes-mercantes, cada qual com seus próprios  recursos e guardas para vigiar as fronteiras. A deslealdadeé lugar-comum em Vodacce. Confiar num parente é botar na mão dele o punhal que vai acabar nas suas costas.

Vodacce foi outrora a capital do Antigo Império.  Suas ruas eram um alvoroço de senadores, mercadorese soldados que cuidavam das próprias vidas. Os debates ecoavam em suas edificações, e as bibliotecas transbordavam com o conhecimento reunido de uma república próspera.

Hoje, centenas de anos depois da queda do império, a cidade que lhe servia de captial se vê vazia e silente. A terra sobre a qual se ergue pertence aos príncipes que deram as costas ao debate para abraçar o subterfúgio, transformando as grandes cidades em seus próprios reinos em miniatura, espalhados pela península. Em Vodacce, é melhor ser rei de sua própria colina do que dividir com outros homens o domínio de uma montanha. Mas melhor ainda é ser o rei da montanha.

Cada um dos sete príncipes controla um aspecto diferente da economia do país e um produto de exportação específico. Um deles produz o melhor vinho de Théah, outro se vangloria de ter os melhores artesãos. Vincenzo Caligari tem a maior coleção de artefatos syrneth do continente, e Gespucci Bernoulli controla as rotas comerciais mais lucrativas dali até o Império do Crescente.

O combate, como quase tudo em Vodacce, é um passatempo masculino. Os homens vodatianos são famosos pelo temperamento inflamável e pela rapidez com que sacam as espadas, mas as mulheres são reconhecidamente frias e calculistas. Em Vodacce, situação ímpar entre a nobreza teana, somente as mulheres são feiticeiras. Chamadas de “sortílegas” em outras partes de Théah, as streghe del Sortilegio disputam um perigoso jogo de gato e rato com o destino. Enxergam e manipulam os fios da sorte, ajudando os maridos nos negócios. Os navios vodatianos raramente são surpreendidos por tempestades, e os piratas comuns costumam passar bem longe deles, pois temem encontrar algum infortúnio.

Os romances são um dos grandes passatempos de Vodacce... para quem é homem. As esposas guardam uma distância respeitável dessas coisas. O casamento, entre os nobres, é uma questão absoluta de política e economia. Os casais raras vezes se conhecem antes da cerimônia, apesar de que, definido o noivado, ainda se espera dos maridos que cortejem de longe a futura esposa, com poemas e belos presentes. Os homens reservam boa parte de seu afã romântico para as cortesãs profissionais. Essas mulheres formam uma sociedade à parte dos outros membros do sexo feminino em Vodacce. As senhoras “respeitáveis” não sabem ler – os vodatianos receiam que a educação venha a afetar o tênue equilíbrio do poder entre homens e sortílegas –, mas as cortesãs são extremamente cultas e dominam tanto as artes quanto as ciências.

“Cuidado onde pisa” é uma expressão originária de Vodacce. Bastaria dar uma olhada na arquitetura vodatiana para alguém se convencer disso, mas um rápido exame da política local só reforça a lição. As ruas das cidades são alegres e joviais, representadas por seus poetas e dramaturgos respeitados, além das belas cortesãs. As cidades são tomadas por edifícios altos e esguios que fazem uso de cada centímetro disponível do terreno. Um sistema traiçoeiro de pontes conecta os prédios, interligando a cidade toda feito uma gigantesca teia de aranha. Ninguém precisa ser arquiteto para ver que bastaria um espirro fora de hora para fazer o sistema todo ruir e cair no mar.

A arquitetura de Vodacce pode parecer instável, mas não passa de um agradável passeio de fim de tarde em comparação com seu cenário político. Os sete príncipes-mercantes que governam Vodacce são os homens mais cruéis de toda a Théah. Atolados numa guerra comercial com a Liga de Vendel, os príncipes firmaram uma aliança relutante para combater os competidores nórdicos. Ao mesmo tempo, porém, todo príncipe vodatiano sabe que nenhum de seus outros “irmãos” deixaria passar a oportunidade de apunhalá-lo pelas costas e roubar suas terras e seus negócios. Nem sempre foram sete os príncipes. Já houve doze deles e, em alguns momentos, apenas três. Hoje eles são sete, mas quem sabe o que o futuro reserva?

Cultura
Os vodatianos são orgulhosos. Perdem a calma tão rápido quanto manejam a espada, e quem continuar de pé que fique com a razão. Julga-se um homem não só por sua fortuna, mas também pela maneira como ele a gasta.

Um homem decente tem tanto dinheiro que não precisa se preocupar em gastá-lo, mas só um idiota deixaria outra pessoa lhe passar a perna. As mulheres de Vodacce já são uma outra história. Raras vezes são flagradas agindo publicamente, mas apoiam os pais e maridos com suas habilidades e as artes arcanas do sortilégio.

Os vodatianos são esbeltos e têm estatura mediana. Têm cabelos pretos e lisos. Seus olhos são escuros e misteriosos, variando do negro ao cinzento. Os vodatianos ostentam um nariz retilíneo e altivo, e a  cor de sua pele percorre todo o espectro do pálido ao trigueiro.



Última edição por Teach em Sex 04 Ago 2017, 14:08, editado 1 vez(es)

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em Sab 08 Jul 2017, 17:17

Camadas Sociais
Só Montaigne distingue mais os nobres dos camponeses do que Vodacce. No entanto, a vida de um camponês vodatiano não é tão dura quanto em outros países. Na verdade, a vida de um camponês em Vodacce poderia parecer luxuosa em comparação com a de um camponês aiseniano ou montenho.

Campesinato
O dia começa com a alvorada e termina depois de o sol se pôr. A primeira obrigação de um camponês vodatiano é a lavoura, e o trabalho continua até por volta do meio-dia. O almoço é uma verdadeira ocasião e dura até uma hora e meia, seguido por um cochilo longo e sossegado. Os camponeses dormem durante as horas mais quentes do dia, levantam-se às quatro da tarde e continuam a trabalhar até bem depois do pôr do sol. Aí, terminadas as tarefas, serve-se o jantar e os agricultores se preparam para dormir. A rotina de um camponês é basicamente essa. Naturalmente, existem os feriados e as festas periódicas a cada estação, mas, fora o trabalho árduo de sustentar a nobreza voraz, o camponês vodatiano pouco faz além de labutar e descansar.

Classe Média
A classe média de Vodacce é formada principalmente por artesãos e mercadores. Vodacce se vangloria de ter alguns dos artesãos mais talentosos de Théah. Até mesmo os objetos mais simples costumam receber tamanha ornamentação que chegam a desviar a atenção das pessoas daquilo que é importante. Boa parte da economia se baseia no comércio desses artigos de luxo elaborados e decorativos. O escambo é um passatempo e motivo de orgulho em Vodacce, tanto quanto os eventos esportivos em outros reinos. As trocas podem tomar horas e horas nas ruas movimentadas. Afinal, o homem incapaz de fazer um bom negócio dificilmente é um homem de verdade. A mulher que não sabe ir às compras para abastecer a casa merece desdém. A estrutura social em Vodacce fica evidente na arquitetura de suas cidades ocidentais. As classes mais baixas vivem mais perto da água e, por conseguinte, da imundície das ruas. Quanto mais dinheiro a pessoa tiver, mais alto na estrutura social ela conseguirá chegar (literalmente).

A classe média pode arcar com o custo de moradias mais elevadas, muitas vezes construídas diretamente sobre as lajes de seus vizinhos mais pobres. A nobreza e os endinheirados vivem no alto de edifícios estreitos, erigidos por uma combinação de arquitetura genial, um elaborado sistema que os eleva acima da água e uma pitada de magia. Dizem que uma festa na casa do príncipe pode acordar os ratos que vivem sob o assoalho do mais pobre de seus súditos. Pelos mesmos motivos, também se diz que é possivel reconhecer uma dama pelos pés, pois nunca tocaram o solo.

Nobreza
A nobreza de Vodacce tem suas raízes nas famílias que detinham posições no Senado da Velha República. Os príncipes-mercantes, ou “signori”, não são tão extravagantes quanto os nobres de Montaigne, nem tão dignos quanto os de Avalon. Os poetas do país contam que os vodatianos têm dois corações: o do dever e o do amor.

Os sete príncipes de Vodacce levam o título muito a sério. A riqueza e o orgulho são as duas pedras fundamentais da cultura vodatiana: a primeira é um instrumento para satisfazer o segundo. Os príncipes raramente se reúnem, exceto para decidir os rumos da nação, ou em ocasiões sociais muito formais, como casamentos e funerais de chefes de estado. Quando se congregam para disutir os rumos de Vodacce, a coisa se dá em território neutro, o que evita bate-bocas desnecessários para decidir na casa de quem a reunião deveria acontecer. Além disso, garante que nenhum dos príncipes terá a vantagem tática. Desde a queda da Velha República, quando o envenenamento e a traição eram considerados métodos justos e razoáveis de negociar a sucessão, os príncipes nunca mais confiaram uns nos outros, e por bons motivos.

Graças a essas providências, os príncipes não têm muitas oportunidades de ostentar sua fortuna. Daí desenvolverm uma maneira não tão óbvia de se gabar. Os príncipes vodatianos se revezam oferecendo festas elaboradas para os nobres de menor estatura. Essa pequena nobreza viaja o ano todo, narrando os excessos de seu mais recente anfitrião, sabendo muito bem que o atual não medirá esforços para suplantar a decadência de seu “irmão”. Dizem que o vinho corre pelas casas nobres de Vodacce feito as águas de seus inúmeros rios. Pode-se afirmar o mesmo sobre a comida, o ouro, as joias e as mulheres. Alguns céticos também propalam que os hábitos dos príncipes podem prejudicar sua base de poder e que mais dinheiro corre pelas ruas de Vodacce do que por suas rotas comerciais.

Cortesãs
Além do bom vinho e da cozinha refinada, a península sulista desfruta de mais uma conveniência. Nobres de toda a Théah cobiçam um convite para as festas vodatianas, nem tanto pela oferta de opções culinárias, e sim pela fartura de prazeres carnais. Em Vodacce, a aventura amorosa é uma virtude. Espera-se que os homens cortejem as mulheres, apesar de todos os casamentos de estado serem arranjados. Por outro lado, as mulheres de berço aprendem a ser modestas e recatadas. A profissão de cortesã preenche especificamente essa lacuna. Com a cortesã, um homem pode falar de coisas que não discutiria com sua esposa. Pode levá-la a lugares aonde as mulheres “decentes” não têm permissão para ir. Pode exaltá-la como deusa do amor, uma imagem idealizada. E, ao terminar, pode seguir com sua vida sem voltar a pensar no assunto. As cortesãs vodatianas são renomadas em toda a Théah. Existem escolas de etiqueta, música e diversas outras artes, mas as melhores cortesãs são instruídas por tutores particulares. À semelhança do ofício de ferreiro, vinicultor etc., a profissão muitas vezes é transmitida de mãe para filha. Existem, na verdade, algumas “famílias cortesãs” espalhadas por Vodacce.

As cortesãs não são limitadas pelas regras que mantêm a maioria das vodatianas analfabetas e caladas, atrás de suas cortinas atapetadas. Têm acesso a bibliotecas, universidades, fóruns públicos e a qualquer outro lugar onde sua clientela masculina decida matar o tempo. São treinadas nas artes da representação, poesia, canto, dança e, em alguns casos, política. Mas esse modo de vida tem suas desvantagens. As mulheres nobres de Vodacce sofrem restrições quanto ao que podem ou não fazer, mas é incontestável que recebem proteção e têm sua segurança garantida. A cortesã é obrigada a contar com sua argúcia e habilidade para decidir a própria sorte. A mulher sensata toma o cuidado de cair nas graças de um nobre que tenha condições de defendê-la caso ela se veja em alguma dificuldade no futuro. Em Vodacce, a sociedade e a política dividem a mesma cama. É muito fácil reconhecer as cortesãs vodatianas.

Caminham pelas ruas feito aves exóticas de plumagem fulgurante, vestindo cores vivas, usando joias e modelitos que fariam a desgraça de qualquer mulher “decente”. São poucas as restrições ao que podem vestir ou fazer, mas, como é de praxe em Vodacce, aquelas que não conseguem prever possíveis ofensas não costumam durar muito. O toque final em seus figurinos fica por conta das elaboradas máscaras decorativas que usam em público. Acessórios brilhantes que geralmente cobrem apenas parte do rosto, essas máscaras podem imitar aves ou bichos, ou podem ser totalmente abstratas. Aparentemente, as máscaras acrescentam algo de excitante e festivo à imagem da cortesã. Na verdade, elas têm uma finalidade mais prática: impedir que as esposas dos clientes descubram a identidade da moça.

Mulheres da Nobreza
Se as cortesãs de Vodacce estão entre as mulheres mais cultas de Théah, então as esposas de seus nobres são as menos instruídas. As mulheres que nascem com o dom do Sortilégio permanecem analfabetas. Ler e escrever são para mulheres vulgares, e não para damas de bom berço e elevada estatura. Essa estranha dicotomia já foi discutida por vários estudiosos teanos (principalmente os da Igreja) como exemplo ideal do preço que os mortais têm de pagar pela feitiçaria. Afinal de contas, a iluminação vem do conhecimento e, quando não se permite a uma pobre alma obter conhecimento, como ela poderá encontrar a graça do Criador? “Sortilégio” é a capacidade de enxergar e manipular os fios do destino que unem toda a humanidade. Somente as mulheres de Vodacce possuem esse dom, para desgosto dos homens do país. Os primeiros homens que pediram esse poder ficaram tão zangados que acabaram estabelecendo tradições que perduram até hoje.

As providências que tomaram garantiram que as mulheres não conseguiriam tomar o destino de Vodacce das mãos dos homens. Quando descobrem que uma menina tem o dom, seu pai se certifica de que ela nunca aprenderá a ler nem escrever, e muito menos terá acesso a qualquer outro tipo de educação. A obrigação da moça é servir ao pai (e, posteriormente, ao marido), à família dele e a Vodacce, e não à sua própria vaidade. As vodatianas casadas usam vestidos pretos e modestos, além de cobrir o rosto com um véu pesado e negro, para que os olhos da bruxa não cruzem com os olhos de outro homem que não seu marido.

Homens da Nobreza
Os homens vodatianos de qualquer condição social são sabidamente orgulhosos. Os filhos das melhores famílias, em sua maioria, estudaram em algumas das escolas de esgrima mais renomadas de Théah e estão sempre de olho numa oportunidade para demonstrar sua perícia. O menor insulto pode levar a um duelo. E não é só isso. As escolas vodatianas não ensinam apenas as técnicas nobres. Muitas incorporaram aspectos práticos da luta de rua em suas técnicas, uma ingrata surpresa para vários forasteiros.

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em Sab 08 Jul 2017, 17:25

Etiqueta
A maior gafe possível em Vodacce é revelar-se um covarde. Com uma atmosfera política das mais tensas, e sendo o orgulho um aspecto tão importante do caráter nacional, não é incomum verem-se três ou mais duelos no decorrer de uma tarde. Os homens se desafiam por ofensas insignificantes ou imaginárias. A desonra não está em comprar briga, e sim em fugir da luta. Está claro que nem todos esses combates são fatais. Muitos são disputas de cicatrizes (para ver quem deixa o oponente mais marcado) ou simples exibições de habilidade. As promessas, em Vodacce, também são muito importantes. O homem que não mantém sua palavra é uma vergonha para si mesmo e para sua família. Se ele a quebrar, o patriarca da família terá de castigá-lo pela ofensa. Duvidar publicamente da palavra de um outro homem de condição social idêntica ou superior à sua é motivo para um duelo até a morte.

Vestuário
A forma e o talhe das roupas vodatianas são semelhantes ao que é moda em Montaigne, mas têm um ar todo próprio. As peças mais externas, os vestidos, casacos etc. são feitos de pedaços de tecido unidos por cordões. É um elemento particularmente comum em casacos e vestidos. As camisas e combinações geralmente são de tecido leve. O brocado, o veludo e o couro trabalhado são muito comuns nas peças externas. Tons vivos e escuros são os preferidos da nobreza.

As vodatianas nobres gostam de joias simples, geralmente pérolas ou pedras polidas. Os homens nobres, como suas cortesãs, preferem ostentar toda a sua riqueza. Praticamente ninguém em Vodacce usa pedras lapidadas nem objetos espelhados. Dá azar ver o próprio reflexo em mais de um ponto ao mesmo tempo.

O traje típico de um homem da nobreza inclui calças – folgadas, mas sem exageros, só o suficiente para não dificultar os movimentos – e camisas de linho com mangas largas e punhos tufados, adornadas com cordões cintilantes. Usam-se frequentemente botas altas e flexíveis que chegam aos joelhos, mas um homem em sua própria casa ou em visita a amigos pode calçar sapatos mais curtos. Os homens vodatianos gostam de casacos acinturados. As mangas podem ser removidas antes de um duelo, para permitir maior liberdade de movimentos, sobrando o colete, esconderijo ideal para armas extras. As mulheres nobres usam, em geral, vestidos pretos, ocasionalmente ornamentados com pequenas pérolas costuradas no tecido. Esses vestidos têm cintura baixa, de onde as saias pendem em linhas retas, contrastando com as anquinhas usadas em Montaigne.

Penteiam os cabelos para trás, longe do rosto, deixando-os correr soltos pelas costas ou trançando-os e prendendo-os no alto. Costumam cobrir o rosto com um véu quando estão em público. São duas as finalidades. O véu indica a modéstia esperada e permite-lhes olhar para o que quiserem sem serem observadas, evitando que as pessoas reparem em suas expressões vazias quando praticam o Sortilégio.

Alimentação
Vodacce é basicamente montanhosa, o que restringe as culturas capazes de crescer ali. As uvas medram nas colinas baixas e arredondadas, mas a principal cultura dos campos ocidentais do país é o arroz. A dieta de um camponês vodatiano consiste em grande parte de arroz, massas (originárias de Catai) e frutos do mar. Uma grande variedade de peixes habita as águas ao redor de Vodacce, além de lagostas e caranguejos. Algumas hortaliças e frutas cítricas medram no clima ameno e úmido, mas a maior parte da produção é importada de Castilha.

A classe média e a nobreza têm uma dieta mais variada. Quem tem dinheiro para tanto importa carne bovina e de caça, além de vários outros alimentos. As ostras também são uma iguaria popular. São abundantes no mar que circunda Vodacce e raras no restante de Théah. Praticamente tudo o que a nobreza deixa de comer é exportado para outras cortes.

Costumes
A família é importantíssima para os vodatianos, sejam de alta ou baixa extração. As profissões geralmente são transmitidas de pai para filho. A reputação do pai em sua profissão muitas vezes é tão importante quanto a do filho. Um pescador pode se orgulhar de ter como pai o melhor pescador de todos os tempos, e um mercador cujo pai tenha a reputação de ser um homem honesto fará mais negócios que um mercador cujo pai não é tão respeitado.

Uma outra peculiaridade é a maneira como os vodatianos tratam seus mortos. Os falecidos merecem respeito absoluto de amigos e inimigos. Ninguém fala mal dos mortos em Vodacce, por mais detestáveis que eles fossem em vida.

Arte e Música
Os vodatianos adoram produtos artesanais bem feitos. Um punhado de pintores célebres vive nas ilhas do sul, mas as formas de arte preferidas dos vodatianos são a tecelagem, a ourivesaria, a culinária refinada e qualquer outra coisa que dê um toque adicional de graça a seu estilo de vida. Eles são hedonistas até a alma. Apreciam as grandes produções, orquestras e operas, mas preferem a música mais romântica e dramática. As cantigas dos trovadores ainda são populares. Saber cantar e tocar um instrumento faz parte da definição de hombridade. As baladas mais populares são românticas ou espirituosas. As mulheres também entoam cantigas de amor, mas nunca em público e somente para outras mulheres ou para seus maridos. A exceção a essa regra fica por conta de uma ou outra balada histórica ou familiar.

Religião
“O vodatiano que não é vaticinista
não faz alarde de sua religião.”
Benedetto, o lavrador,
camponês vodatiano

Em Vodacce, a religião é esquisita. Sortílegas e maridos devotados a mulheres que não são suas esposas enchem as igrejas. Os bispos vodatianos não fazem vista grossa à depravação: simplesmente a definiram de tal maneira a não interferir no estilo de vida da nação. Essas definições rigorosas se aplicam principalmente ao pecado. A Igreja de Vodacce perdeu um bocado de tempo definindo o que é e o que não é pecado. Dizem que os homens mais decadentes de Vodacce pertencem ao clero, mas, se os boatos são verdadeiros ou não, ninguém até hoje obteve provas. Nem é preciso dizer que os mantos vermelho-sangue da Inquisição raramente são bem-vindos em Vodacce.

Para os vodatianos, a religião é, sobretudo, um instrumento político. As casas nobres sempre tiveram laços íntimos com a Igreja, e seus vínculos se fortaleceram com o passar do tempo. Vodacce controla cinco das dez arquidioceses da Igreja dos Vaticínios, uma posição influente que lhe permite decidir a política eclesiástica. Na verdade, para que qualquer diretriz política passe a ser oficial, é preciso obter, primeiramente, a graça das “Cinco de Vodacce”. Se um cardeal (ou até mesmo um hierofante) desprezar a autoridade das arquidioceses, nenhum de seus programas será levado a cabo. Os príncipes já fizeram uso dessa posição incontáveis vezes e sua força em nada diminuiu desde que a sede da Igreja se mudou para Castilha.

A Igreja de Vodacce fez de tudo um pouco para tornar compatíveis a doutrina religiosa e o modo de vida de sua gente. Vistos de fora, os sete pecados da Igreja dos Vaticínios parecem ser os mesmos em Castilha e Vodacce, mas as definições variam ligeiramente. A principal diferença é que os vodatianos acreditam que o pecado, em geral, não está na ação, e sim na inação correspondente.
Preguiça: O pecado mais abjeto numa cultura onde se julga um homem pela fortuna que ele angariou.
Inveja: Invejar o que um outro homem possui é tolice. Por que desejar ser igual ao vizinho? Vá arranjar algo para fazê-lo invejar você.
Cobiça: É querer aquilo que não é seu direito possuir. Se estiver a seu alcance obter aquilo que deseja, seria tolice não fazê-lo.
Luxúria: Para os vodatianos, o pecado da luxúria não está no desejo, e sim em não fazer algo a respeito. Se gostar de uma mulher, corteje-a. O pecado, no seu caso e no dela, seria deixar o desejo apodrecer, transformando-se em impotência espritual.
Vaidade: O erro não está em se orgulhar da própria aparência, e sim no orgulho injustificado. Conheça a si mesmo. Não se deixe iludir pelo próprio ego.
Ira: Se estiver furioso com alguém, desafie-o e obtenha justiça. Só será um pecado se você se encolher num canto e não cuidar da ofensa que, a seu ver, ele fez a você e aos seus.
Gula: É o pecado de consumir mais do que se deve. Para um povo hedonista, porém, a definição de “o que se deve consumir” pode diferir do mesmo conceito em outros lugares.



Última edição por Admin em Sab 08 Jul 2017, 17:34, editado 1 vez(es)

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em Sab 08 Jul 2017, 17:33

Nomes
Os nobres vodatianos ainda derivam seus nomes de dois dos três senadores da Velha República que fundaram a nação: Gallili, Lorenzo e Delaga, que se tornou o primeiro rei de Vodacce. Os nobres de hoje identificam um ou mais desses senadores como a raiz de sua linhagem, e seus nomes são um reflexo disso, pois são arrematados pela mesma vogal que terminava o nome do senador original.

Todos os príncipes têm Delaga como ancestral comum, mas apenas os Villanova, intimamente relacionados, utilizam a terminação “a”. Os demais derivam sua terminação de Gallili. A maioria dos membros da sociedade vodatiana, pelo menos aqueles que não são da nobreza, não apresenta um sobrenome. Um Roberto se distingue do outro pela profissão. Roberto, o peixeiro, é obviamente distinto de Roberto, o comerciante de vinhos.
Nomes Masculinos Comuns: Alberto, Antonio, Carlo, Ernesto, Felice, Fortunato, Gianni, Giuseppe, Leon, Marco, Modesto, Pietro, Rinaldo, Rolando, Savino, Siro, Timeo, Toni, Umberto, Vito
Nomes Femininos Comuns: Alesio, Angelina, Clarissa, Crescenza, Elena, Fiora, Iolanda, Lea, Luisa, Miranda, Natalia, Paolao, Penelope, Rachele, Rebecca, Regina, Sandra, Valeria, Veronica, Viola

Governo
Cada um dos sete príncipes que governam Vodacce controla um aspecto diferente dos negócios e do comércio. Todos sonham com o dia em que reinarão supremos sobre seus “irmãos”, unindo Vodacce sob seu jugo. Dos sete, três – Bernoulli, Falisci e Villanova – angariaram influência suficiente para tentar tal coisa. O resultado é um vaivém político em que cada um dos três tenta manipular os “irmãos” mais fracos.

Bernoulli
A família Bernoulli sempre apoiou fortemente a Igreja. Como recompensa, quando o contato generalizado com o Império da Lua Crescente cessou na década de 1250, a Igreja deu à família Bernoulli direitos exclusivos de negociar com os crescentinos. Desde então, os Bernoulli prosperaram imensamente e são, o que não chega a surpreender, os contribuintes mais geneorosos da Igreja. Gespucci Bernoulli, o patriarca da família, é particularmente carola. Contudo, como ele está ficando velho (já tem pouco mais de sessenta anos), seus filhos passam a assumir cada vez mais as funções comerciais da família. Eles atravessam frequentemente o mar que os separa do Império da Lua Crescente e estão mais que dispostos a se entregar aos prazeres e às depravações que lá podem encontrar.

Falisci
Donello Falisci acredita em fazer uma coisa só e fazê-la com primor. Para ele, e para o pai e o avô que o precederam, essa coisa é a produção de bons vinhos. Garrafas do vinho Falisci já foram trocadas por pequenas propriedades. A família é dona da região mais fértil de Vodacce e tem dedicado suas culturas à criação de buquês novos e deslumbrantes.

Villanova
Uma das famílias mais antigas e poderosas, os Villanova são bem conhecidos por selar acordos fatais e empregar métodos traiçoeiros. Giovanni Villanova assumiu o comando da família quando seu pai, Allegro, morreu. Allegro tinha penas 32 anos quando sofreu uma queda infeliz num lance de escadas mais alto. Seu irmão Giam assumiu como conselheiro de Giovanni, então com dez anos de idade, mas ele começou a perder a saúde pouco depois. Continuou piorando no decorrer dos dois anos que se seguiram e, logo depois de Giovanni ascender ao comando dos negócios da família, Giam faleceu.

Lucani
A família Lucani é a detentora de suas terras há uns cem anos apenas. Antes disso, a propriedade era da família Villanova. Um século atrás, como paga por sua lealdade, ou talvez por algum serviço prestado – as crônicas são vagas em relação aos detalhes –, o patriarca dos Villanova entregou essa pequena propriedade a seu “irmão” de berço não tão elevado, Michele Lucani. Desde então, os Lucani lutam para conservar as terras que receberam.

Mondavi
Com exceção dos Falisci, os Mondavi são a única outra família vodatiana a ganhar a vida com a agricultura. As propriedades da família são alagadiças, mas ideais para a produção de arroz. A renda não é das mais extraordinárias, mas é estável, e os Mondavi parecem contentes com a manutenção do status quo.

Vestini
A família Bernoulli controla o comércio de artigos de luxo estrangeiros, mas os Vestini dominam a manufatura nacional. Vestini ofereceu uma quantia substancial aos bons artesãos de toda a Vodacce, desde que se mudassem para seus domínios e trabalhassem para ele. À época, a família Vestini tinha poder político e militar suficiente para impedir que muitos outros príncipes o contestassem. O único que o fez foi achar o cadáver de seu filho caçula dentro de um canal. Fosse o primogênito, talvez tivesse acabado em guerra.

Caligari
Vincenzo Caligari já era idoso dez anos atrás, mas não aparenta querer largar o poder. Tradicionalista, ele construiu sua casa nos moldes do prédio do senado da Velha República. Ele mantém um grupo de conselheiros que usam medalhões parecidos com os sinetes dos senadores daquela época. Seus aposentos particulares formam um pequeno museu, tomados, de parede a parede, por tomos, rolos de pergaminho, caixas e sacos contendo objetos encontrados em ruínas espalhadas por toda a Théah. Vincenzo Caligari tem obsessão por esses fragmentos de vidas pretéritas. Desde a lenta agonia de seu pai, Vincenzo se convenceu de que seu destino não é ter uma morte tão ordinária. Ele crê que o artefato certo, ou uma combinação de artefatos, pode poupá-lo da enfermidade e da velhice.

Economia
Vodacce continua a usar a moeda da Velha República, uma peça de bronze chamada, apropriadamente, de “republica”. Também utiliza moedas de cobre menores, chamadas sedili (singular sedilo), ou “assentos”. Dez sedili dão uma republica, já que haviam dez assentos no Senado da Velha República. Diferente do que ocorre com muitas moedas, não é possível trocar repuliche e sedili por guilders.

Forças Armadas
Não há um exército permanente em Vodacce. Cada príncipe mantém uma guarda pessoal e os jovens em condições podem servir nas guarnições que protegem o comércio com o Império do Crescente. Mas quase todos os nobres aprendem a usar a espada, uma tradição que vem desde o tempo que se seguiu à queda da Velha República, quando cada casa era responsável por fornecer uma quantidade adequada de rapazes para lutar pela nação. A “Marinha” Vodatiana Não existe uma Marinha vodatiana oficial. Contudo, os navios mercantes que zarpam e aportam ali são propriedade de homens leais e armados até os dentes, com o suporte de um contingente de marinheiros mercenários para rechaçar os piratas. Numa emergência, essas embarcações dariam uma marinha respeitável.

Relações Exteriores
Avalon
Oficialmente, os vodatianos não querem ter nada a ver com os avalonianos e vice-versa. Circulam boatos, porém, de que os dois países estariam comerciando em segredo e usando os Lobos do Mar como intermediários.

Castilha
As relações entre Vodacce e Castilha ficam tensas de vez em quando, quase como irmãos que, de tempos em tempos, decidem que não se bicam. Não existem outras duas nações teanas tão parecidas entre si, mas os dois países costumam bater de frente, principalmente no que diz respeito à religião que compartilham.

Comunidade Sarmática
O príncipe da Comunidade, Stanisław II, é casado com uma vodatiana. E isso faz dele um parente, por assim dizer. Ele tem sido habilidoso ao negociar com os príncipes-mercantes, jogando um contra o outro. Até o momento, eles têm respeitado sua destreza, mas não passará disso. E o que dizer da tal “Liberdade Dourada”? É bom que esse absurdo não cruze as fronteiras de Vodacce.

Eisen
Os vodatianos vigiam os aisenianos de perto. Com o país naquela situação calamitosa, os vodatianos receiam que uma horda desesperada de aisenianos tente invadi-los como vingança pela Guerra da Cruz.

Montaigne
Os montenhos são o maior mercado para os artigos de luxo vodatianos, e os dois povos têm muito em comum. Portanto, as relações entre os dois países são boas.

Nações Piratas
Graças às previsões feitas pelas sortilegas, os mercadores vodatianos não sofrem tanto com a pirataria. Ainda ficam de olho nos piratas e enforcam todos os que se deixam capturar, mas não se trata de uma preocupação tão grande quanto poderia ser.

Ussura
As sortílegas temem os ussuranos e avisam que uma sombra negra e protetora paira sobre eles. E é por isso que o resto dos vodatianos toma muito cuidado quando há ussuranos por perto. Evitam a todo custo fazer algo que possa ofender ou irritar essa gente ou sua misteriosa protetora.

Vestenmennavenjar
A situação com os vesteneses é tensa. As duas nações já estão travando uma guerra comercial que pode degringolar para uma guerra propriamente dita. Nos últimos anos, houve várias ocasiões em que um príncipe vodatiano mandou uma expedição comercial mais para o norte do que deveria. Várias delas foram cordialmente mandadas de volta dentro de baús. A grande razão para os vodatianos ainda não terem tomado sérias providências é que nenhum dos príncipes, isoladamente, tem poder bastante para atacar os vesteneses. Além disso, se o fizesse, ele teria de se explicar com os “irmãos” e admitir que tentou fazer negócio fora de sua jurisdição e pelas costas dos outros seis.

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